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30 anos de Parada LGBT+ em SP: Erika Hilton sobe no trio, emociona multidão e lança discurso que dividiu o Brasil

Deputada federal celebrou conquistas da comunidade, cobrou o Senado ao vivo e recebeu gritos de "presidenta" na Avenida Paulista

São Paulo, 7 de junho de 2026 — Canal NBS

A Avenida Paulista viveu neste domingo um dos seus dias mais intensos dos últimos anos. A 30ª edição da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo reuniu uma multidão histórica entre a Paulista e a Praça da República, com catorze trios elétricos, shows de grandes nomes da música brasileira e uma atmosfera que misturou festa, emoção e política em doses iguais. Mas o momento que tomou as redes sociais e dividiu opiniões no país inteiro não veio do palco principal. Veio de um discurso.

A edição que celebrou três décadas de resistência

O tema escolhido para esta edição não deixou dúvidas sobre o tom da festa: "30 anos Parada SP: A Rua Convoca, a Urna Confirma". A escolha do tema reflete o momento político do país e a crescente articulação da comunidade LGBT+ como força eleitoral. Um dos símbolos mais marcantes do evento foi uma urna gigante instalada no meio da Avenida Paulista, reforçando a mensagem de que a luta não termina nas ruas — ela continua nas urnas.

Tudo começou em 1996, na Praça Roosevelt, com um pequeno grupo que queria apenas ocupar o espaço público e ser visto. No ano seguinte, a Avenida Paulista abriu suas portas — e nunca mais fechou. Três décadas depois, a Parada de São Paulo é reconhecida como uma das maiores do mundo, recebendo participantes de todos os estados brasileiros e visitantes internacionais.

Os artistas que aqueceram a Paulista

O line-up desta edição histórica reuniu alguns dos maiores nomes da música LGBT+ brasileira. Pabllo Vittar, Gloria Groove, Urias, Melody, Pepita e Diego Martins subiram ao palco e comandaram multidões ao longo do dia. A energia nas ruas era de celebração intensa, mas foi em um dos trios elétricos que o momento mais comentado da tarde aconteceu.

Erika Hilton sobe no trio e para o Brasil

A deputada federal Erika Hilton, do PSOL de São Paulo, subiu em um dos trios elétricos e o que aconteceu em seguida tomou as redes sociais em questão de minutos. A multidão, ao reconhecê-la, começou a gritar "presidenta" — e ela não deixou o momento passar em branco.

"Marcharemos nesta tarde pela retomada da nossa bandeira e para mostrar que o Brasil será melhor, será bicha, sapatão, travesti", declarou Hilton, arrancando gritos e aplausos da multidão que lotava a Paulista.

O discurso que emocionou e dividiu opiniões

No mesmo pronunciamento, a deputada celebrou a aprovação na Câmara dos Deputados da PEC que põe fim à escala de trabalho seis por um — uma das pautas mais debatidas pelos trabalhadores brasileiros nos últimos meses. Hilton foi direta ao cobrar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para que a proposta avance na Casa.

"A maior vitória da classe trabalhadora brasileira veio das mãos dessa comunidade, das mãos de uma travesti preta", afirmou a parlamentar, em um dos trechos mais compartilhados nas redes.

Mas foi em outro momento do discurso que o silêncio tomou conta da multidão antes dos aplausos. Com a voz firme e o olhar direcionado para a Paulista lotada, Erika Hilton fez um apelo às famílias brasileiras que emocionou quem estava presente e quem assistia de longe pelas telas.

"Eu não quero que nenhuma mãe tenha que chorar a morte de um filho. Eu quero que todos os filhos, independentemente de quem sejam, de como queiram amar, voltem para casa vivos."

A frase circulou rapidamente pelas redes sociais e gerou reações dos dois lados — elogios de quem viu no discurso uma mensagem de humanidade e inclusão, e críticas de quem considerou o evento um palanque político. Hilton também defendeu a reeleição do presidente Lula e criticou o que chamou de "Bolsomaster", em referência ao escândalo envolvendo Flávio Bolsonaro e o Banco Master.

Três décadas de conquistas — e a luta que continua

Ao longo de 30 anos, a Parada LGBT+ de São Paulo esteve no centro de transformações históricas no Brasil. Foi nas ruas que a pressão por reconhecimento legal ganhou força — e foi nas ruas que comemorações explodiram quando o Supremo Tribunal Federal reconheceu a união estável entre pessoas do mesmo sexo, quando o casamento civil igualitário foi regulamentado e quando a LGBTfobia foi criminalizada.

Mas os organizadores e participantes desta edição deixaram claro: há muito chão pela frente. A violência contra a população LGBT+ ainda é uma realidade no país, e a representatividade política — mesmo crescendo — ainda está longe do ideal.

A urna instalada no meio da Paulista não estava lá por acaso. Ela era um lembrete de que a festa de 30 anos também é um chamado para as próximas batalhas.

O que fica desta edição histórica

A 30ª Parada LGBT+ de São Paulo vai ficar marcada não apenas pelo tamanho da multidão ou pelos shows no palco. Vai ficar marcada pelo discurso de uma deputada que, em cima de um trio elétrico, misturou emoção, política e humanidade diante de uma Avenida Paulista tomada de ponta a ponta.

Festa ou palanque? Resistência ou campanha? O debate está aberto — e é exatamente esse o espírito de uma Parada que, há 30 anos, nunca teve medo de incomodar.


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