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A CONTRADIÇÃO do Dep. ÁTILA no caso ERIKA HILTON

Deputado questiona legitimidade de parlamentar, mas lidera frente de causa que também não vive na prática.

REDAÇÃO
REDAÇÃO

Na política, existe um princípio básico que sustenta o funcionamento do parlamento: representação não depende necessariamente da experiência pessoal.

O deputado estadual Átila Jacomussi entrou em uma polêmica ao criticar a eleição da deputada federal Erika Hilton para a presidência da Comissão dos Direitos da Mulher na Câmara dos Deputados do Brasil.

No vídeo publicado nas redes sociais, ele afirma que uma mulher biológica deveria ocupar esse espaço, levantando o argumento de que apenas quem vive determinada realidade poderia representá-la.

Mas essa lógica abre uma pergunta política inevitável.

O próprio deputado coordena na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo a Frente Parlamentar de Apoio às Mães Atípicas — uma pauta extremamente importante, voltada para mulheres que cuidam de filhos com autismo, deficiência ou doenças raras.

E aqui aparece a contradição.

Átila Jacomussi não é uma mãe atípica.Ele também não vive essa experiência na pele.

E isso, por si só, não desqualifica o trabalho dele — porque o papel de um parlamentar é justamente defender causas sociais e construir políticas públicas.

Mas se esse é o princípio válido para uma pauta, por que ele não valeria para outra?

Inclusive, dentro da própria Alesp existe uma parlamentar que vive diretamente essa realidade: a deputada Andréa Werner, que é mãe atípica, ativista e uma das vozes mais conhecidas na defesa das pessoas com autismo e deficiência.

Ela poderia perfeitamente ocupar esse espaço de liderança na pauta — mas o fato de não ocupar não invalida que outros parlamentares atuem nessa defesa.

E é exatamente esse o ponto da reflexão política.

Se começarmos a exigir que apenas quem vive uma realidade possa representá-la, então o próprio sistema de representação política entra em contradição.

A repercussão nas redes mostra que a fala abriu um debate muito maior, inclusive com questionamentos sobre possível caráter discriminatório, o que pode gerar reações políticas ou até jurídicas.

No final das contas, a política exige algo simples, mas essencial: coerência entre o discurso e a prática.

Porque quando o critério muda dependendo do adversário político, a discussão deixa de ser sobre princípios — e passa a ser apenas sobre conveniência.


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