A CONTRADIÇÃO do Dep. ÁTILA no caso ERIKA HILTON
- CanalNBS

- 13 de mar.
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Deputado questiona legitimidade de parlamentar, mas lidera frente de causa que também não vive na prática.

Na política, existe um princípio básico que sustenta o funcionamento do parlamento: representação não depende necessariamente da experiência pessoal.
O deputado estadual Átila Jacomussi entrou em uma polêmica ao criticar a eleição da deputada federal Erika Hilton para a presidência da Comissão dos Direitos da Mulher na Câmara dos Deputados do Brasil.
No vídeo publicado nas redes sociais, ele afirma que uma mulher biológica deveria ocupar esse espaço, levantando o argumento de que apenas quem vive determinada realidade poderia representá-la.
Mas essa lógica abre uma pergunta política inevitável.
O próprio deputado coordena na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo a Frente Parlamentar de Apoio às Mães Atípicas — uma pauta extremamente importante, voltada para mulheres que cuidam de filhos com autismo, deficiência ou doenças raras.
E aqui aparece a contradição.
Átila Jacomussi não é uma mãe atípica.Ele também não vive essa experiência na pele.
E isso, por si só, não desqualifica o trabalho dele — porque o papel de um parlamentar é justamente defender causas sociais e construir políticas públicas.
Mas se esse é o princípio válido para uma pauta, por que ele não valeria para outra?
Inclusive, dentro da própria Alesp existe uma parlamentar que vive diretamente essa realidade: a deputada Andréa Werner, que é mãe atípica, ativista e uma das vozes mais conhecidas na defesa das pessoas com autismo e deficiência.
Ela poderia perfeitamente ocupar esse espaço de liderança na pauta — mas o fato de não ocupar não invalida que outros parlamentares atuem nessa defesa.
E é exatamente esse o ponto da reflexão política.
Se começarmos a exigir que apenas quem vive uma realidade possa representá-la, então o próprio sistema de representação política entra em contradição.
A repercussão nas redes mostra que a fala abriu um debate muito maior, inclusive com questionamentos sobre possível caráter discriminatório, o que pode gerar reações políticas ou até jurídicas.
No final das contas, a política exige algo simples, mas essencial: coerência entre o discurso e a prática.
Porque quando o critério muda dependendo do adversário político, a discussão deixa de ser sobre princípios — e passa a ser apenas sobre conveniência.






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