Justiça Aperta o Cerco: MPF Exige R$ 10 Milhões de Ratinho e SBT por Transfobia Contra Erika Hilton
- CanalNBS

- 14 de mar.
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Ação civil pública expõe o choque entre o poder midiático e a lei. Valor da indenização será destinado a mulheres vítimas de violência, enquanto bastidores de Brasília revelam oportunismo político.
O cenário político e midiático brasileiro assiste a um novo e contundente choque de poderes. O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou uma ação civil pública contra o apresentador Ratinho e a emissora SBT, cobrando uma indenização histórica de R$ 10 milhões. O motivo central são as falas de cunho transfóbico proferidas em rede nacional contra a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), recém-eleita presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara dos Deputados.
O episódio ocorreu durante o programa ao vivo do apresentador, que questionou a legitimidade da parlamentar para o cargo. "Ela não é mulher, ela é trans", disparou Ratinho. A declaração ignora não apenas a votação democrática que colocou a deputada na presidência da comissão — um marco inédito na história do país —, mas também a jurisprudência brasileira. Desde 2019, o Supremo Tribunal Federal (STF) equipara a transfobia ao crime de racismo, tornando a prática inafiançável e imprescritível, com penas que variam de um a cinco anos de reclusão, além de multa.
O impacto da ação foi imediato. A deputada Erika Hilton utilizou suas redes sociais para classificar o discurso como "criminoso e profundamente irresponsável", destacando que a comissão não tolerará que mulheres sejam reduzidas a "máquinas de reproduzir". O MPF, além da cifra milionária, solicitou a retirada do programa do ar e das plataformas digitais para limitar a propagação do preconceito. Caso a condenação se confirme, os R$ 10 milhões exigidos não terão fins políticos, sendo revertidos integralmente para fundos de apoio a mulheres vítimas de violência.
Nos bastidores de Brasília, o desdobramento revela uma camada de hipocrisia institucional. Enquanto a Justiça aplica o rigor da lei sobre um comunicador, diversos políticos tentam utilizar o episódio como palanque digital para autopromoção, surfando na audiência do caso. O alerta que fica, no entanto, é claro: o cerco jurídico que hoje atinge a televisão estabelece um precedente rigoroso. Parlamentares que utilizam o plenário e os microfones como escudo para cometer abusos semelhantes podem ser os próximos a enfrentar o peso da lei. O limite entre a liberdade de expressão e o crime está, mais do que nunca, sob os holofotes.




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