Lula é reeleito presidente e conquista quarto mandato após virada sobre Flávio Bolsonaro
Petista supera o adversário no segundo turno por margem estreita, em uma disputa marcada pela polarização e por alta tensão política

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente da República neste domingo (25), ao derrotar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no segundo turno das eleições de 2026. Com o resultado, Lula se torna o primeiro presidente brasileiro a conquistar quatro mandatos pelo voto direto.
A confirmação ocorreu pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) às 21h10. Com 99,87% das urnas apuradas, Lula registrava 51,76% dos votos válidos, contra 48,24% de Flávio Bolsonaro.
A disputa foi marcada por uma diferença apertada e por uma mudança no cenário observado no primeiro turno. Na etapa inicial, Flávio havia terminado à frente, mas Lula conseguiu reverter a vantagem durante a campanha do segundo turno.
A redução da abstenção foi um dos fatores apontados como decisivos para a virada. O índice caiu de 21,08% no primeiro turno para 19,11% na votação deste domingo.
O desempenho de Lula em Minas Gerais e no Nordeste também contribuiu para ampliar a vantagem do petista. Ao longo da apuração, os dois candidatos alternaram a liderança, provocando comemorações e manifestações em diferentes cidades brasileiras.
Eleição foi marcada por tensão
O segundo turno ocorreu em meio a uma campanha altamente polarizada. Os candidatos concentraram suas estratégias na mobilização de eleitores que rejeitavam o adversário e na disputa pelo voto de grupos indecisos.
A votação também enfrentou problemas relacionados ao transporte público em alguns estados. O TSE determinou o prolongamento do horário de votação em duas horas, medida que provocou críticas e questionamentos nas redes sociais, mas não alterou a validade do pleito.
A campanha de Lula ganhou novo impulso nas últimas semanas, com maior mobilização digital e presença de apoiadores nas ruas. Já Flávio Bolsonaro apostou na continuidade do discurso antipetista e na defesa de uma mudança no comando do país.
Desafios para o novo governo
Lula assumirá o novo mandato em um ambiente de forte divisão política. Entre os principais desafios estão a reconstrução do diálogo com o Congresso, a relação com o Judiciário e a condução da política econômica.
O presidente eleito também deverá enfrentar cobranças do mercado por medidas de controle fiscal, além de negociar pautas com partidos do centro e do chamado Centrão.
Na política externa, a relação com o governo dos Estados Unidos e as negociações envolvendo tarifas comerciais estarão entre os temas prioritários durante a transição.
Derrota provoca disputa na direita
A derrota de Flávio Bolsonaro deve abrir uma nova disputa por liderança dentro do campo conservador. Outros nomes ligados à direita podem tentar ocupar espaço na oposição e se apresentar como alternativas para futuras eleições.
O resultado também mantém a polarização entre lulistas e bolsonaristas como um dos principais eixos da política brasileira. A composição do Congresso e as próximas articulações partidárias serão decisivas para definir o nível de governabilidade do novo mandato.
Lula, que completará 81 anos na próxima terça-feira (27), terá dois meses para organizar a transição e formar a base política que sustentará o quarto governo. A posse está prevista para janeiro de 2027.
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