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O “lobisomem” que parou uma cidade em Pernambuco e virou atração das crianças

Fantasia de terror usada por eletricista em Xexéu mobilizou moradores, chamou a polícia e expôs como medo e redes sociais podem transformar uma simples gravação em pânico coletivo.


Em pleno 2026, uma cidade em pernambuco viveu horas de medo por causa de um suposto “lobisomem”. o que parecia história de filme de terror saiu das telas, ganhou as ruas de xexéu, na zona da mata sul de pernambuco, e foi parar na delegacia. tudo começou com a decisão de um eletricista de transformar um comentário em cena real.

Morador do distrito de campos frios, elivaldo ribeiro de sales, de 42 anos, é conhecido na região por usar capa e chapéu escuros. com o tempo, muita gente passou a dizer que ele lembrava um personagem de filme de terror, o creeper, da franquia “olhos famintos”. em vez de se incomodar com a comparação, elivaldo resolveu entrar no personagem: decidiu gravar um vídeo caracterizado, andando de madrugada, para postar nas redes sociais.

Usando capa preta, chapéu, máscara e luvas, ele montou o cenário para o que, na cabeça dele, seria apenas um conteúdo de entretenimento para seu canal e para o instagram. segundo o próprio, avisou algumas pessoas para que ficassem afastadas e não aparecessem no vídeo. a ideia era criar um clima de suspense, como se fosse uma cena de filme, sem prejudicar ninguém. mas a reação da cidade não foi a que ele esperava.

O vídeo começou a circular em grupos de whatsapp, com a imagem de uma figura escura caminhando pela madrugada. em pouco tempo, alguém chamou de “lobisomem”, outro aumentou a história, e a fantasia de terror virou, para muitos moradores, uma ameaça real. com medo, famílias passaram a comentar o caso, houve quem evitasse sair de casa, e a situação se transformou em motivo de preocupação coletiva.

Diante do clima de tensão, moradores decidiram acionar a polícia militar. o homem fantasiado de personagem de filme virou, na visão da comunidade, um possível risco à segurança local. os policiais foram até a casa de elivaldo, conversaram com ele e o levaram para prestar esclarecimentos na delegacia. não houve violência, mas o episódio mostrou como, em poucas horas, uma gravação pensada para a internet pode se tornar caso policial.

Na delegacia, elivaldo explicou que tudo não passava de uma gravação para redes sociais, que não tinha intenção de causar medo ou prejudicar ninguém. a fantasia foi apreendida, e o eletricista ouviu sobre a preocupação da população. depois de esclarecido o mal-entendido, a situação foi normalizada e, mais tarde, a própria fantasia acabou devolvida.

Curiosamente, o que antes gerava medo passou a despertar curiosidade. segundo elivaldo, as crianças da região passaram a querer ver a roupa de perto e tirar fotos com o “monstro” que apareceu no vídeo. o “lobisomem” que apavorou parte da cidade durante a madrugada virou, no dia seguinte, uma espécie de atração para os mais novos.

Visto por analistas e especialistas, o caso de xexéu revela mais do que uma história curiosa. por um lado, mostra como comunidades ainda carregam medos, lendas e inseguranças que podem ser facilmente ativados por imagens pouco explicadas. em cenários com problemas de iluminação pública, relatos de violência e incerteza cotidiana, qualquer figura fora do padrão da madrugada pesa mais do que uma simples fantasia.

Por outro lado, o episódio expõe a força das redes sociais na construção do medo coletivo. um vídeo sem contexto, compartilhado com um rótulo assustador, pode ganhar proporções que o autor jamais imaginou. entre a brincadeira e a ameaça, a linha fica tênue, especialmente quando a população já vive em estado de alerta.

A história do “lobisomem de pernambuco” também levanta uma discussão sobre responsabilidade na produção de conteúdo. criar vídeos de terror, desafios e encenações faz parte da cultura da internet, mas ignora o contexto real de quem está ao redor pode transformar diversão em pânico. a reação da cidade, ao acionar a polícia, não foi apenas exagero: foi também um reflexo da necessidade de se sentir protegida diante do desconhecido.

No fim, o episódio termina sem tragédia: o autor foi ouvido, a fantasia voltou para casa e o “monstro” virou motivo de risos e fotos com crianças. mas a história deixa um alerta: em um mundo onde tudo pode virar conteúdo, o impacto na vida real continua existindo — e não deve ser tratado como fantasia.


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