Quando a Lei Vira Piada: João de Deus tem Pena Reduzida Enquanto Feminicídio Explode 41% em SP
- CanalNBS

- há 16 horas
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Enquanto condenado por crimes sexuais tem sentença reduzida para menos da metade, mulheres morrem a cada 25 horas em São Paulo. A contradição brutal que expõe as falhas do sistema judiciário brasileiro
João de Deus sai da cadeia com pena reduzida. Feminicídio cresce 41%. A justiça funciona para quem?
CORPO DA MATÉRIA
O Fato
Essa semana, um tribunal decidiu reduzir a pena de João de Deus de 480 anos para 211 anos. Menos da metade. Ele cumpre prisão domiciliar em Anápolis, Goiás. Condenado por crimes sexuais, o caso dele se tornou símbolo de algo que ninguém quer discutir de verdade: como o sistema judiciário brasileiro funciona quando a gente não está olhando.
No mesmo período em que essa redução acontecia nos bastidores, São Paulo registrava números que deveriam assustar qualquer um: 41% de aumento em feminicídios no primeiro trimestre de 2026. Estamos falando de 86 mortes. Uma mulher a cada 25 horas. No interior paulista, a situação é ainda pior: alta de 76,5%.
A Contradição
De que adianta ter um sistema judiciário que condena a 480 anos se depois reduz para 211? De que adianta ter leis contra feminicídio se mulher continua morrendo em ritmo acelerado?
Porque aqui está o ponto que ninguém quer tocar: o sistema não está quebrado. O sistema está funcionando exatamente como foi desenhado. Para alguns. Para quem tem acesso a advogados bons, a recursos, a articulações nos bastidores. Para quem consegue transformar crime em processo, processo em redução, redução em liberdade.
Enquanto isso, mulher morre na rua, na casa, no trabalho. E a polícia, que deveria proteger, mata mais. Aumentou 8,3% em letalidade policial no mesmo período.
O Padrão
Quando um juiz reduz a pena de alguém condenado por crimes contra mulher, qual é a mensagem que isso passa? Que o crime não era tão grave assim? Que depois de um tempo a gente esquece? Que existe uma brecha na lei e quem conhece o sistema consegue escapar?
Porque é exatamente isso que parece estar acontecendo. E tudo isso acontece em ano eleitoral. Quando os holofotes estão piscando para outro lado. Quando a atenção política está focada em campanha, em voto, em imagem. E enquanto isso, o sistema penal continua funcionando como sempre funcionou: lento, contraditório e muito mais favorável a quem tem poder do que a quem tem razão.
As Consequências Práticas
Quando um tribunal reduz pena de condenado por crime sexual, qual é a mensagem para quem está pensando em cometer crime similar? Que existe esperança. Que com tempo, com bons advogados, com articulações, a pena pode cair.
E qual é a mensagem para mulher que precisa de proteção? Que o Estado não consegue garantir segurança. Que a lei protege mais quem comete crime do que quem sofre crime.
Porque é isso que os números mostram. 41% de aumento em feminicídio. 76,5% no interior. Isso não acontece por acaso. Acontece porque existe um vácuo. Um vácuo de proteção, de investimento, de vontade política. E enquanto esse vácuo existe, mulher continua morrendo. E condenado continua tendo pena reduzida.
A Pergunta que Fica
De que adianta a gente ter leis se elas não funcionam igual para todo mundo? De que adianta julgamento se depois tudo vira brincadeira? De que adianta condenar a 480 anos se depois reduz para 211? E de que adianta aumentar pena para feminicídio se a mulher continua morrendo porque o Estado não investe em proteção?
Porque isso é o que está acontecendo agora. Enquanto a gente discute redução de pena, mulher morre a cada 25 horas. Enquanto a gente fala de código de ética, polícia mata mais. Isso não é justiça. Isso é teatro. E a gente está pagando o ingresso.
DADOS E NÚMEROS (Box destacado)
NÚMEROS QUE CHOCAM:
480 anos → 211 anos: redução de pena de João de Deus
41%: aumento de feminicídios em SP no 1º trimestre de 2026
86 mortes: total de feminicídios em SP em 3 meses
1 mulher a cada 25 horas: taxa de morte por feminicídio em SP
76,5%: aumento de feminicídios no interior paulista
8,3%: aumento de letalidade policial no mesmo período
CITAÇÕES (Pull quotes)
"De que adianta julgamento se depois tudo vira brincadeira?""O sistema não está quebrado. O sistema está funcionando exatamente como foi desenhado. Para alguns.""Isso não é justiça. Isso é teatro. E a gente está pagando o ingresso."






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