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Voz do povo sobre a escala 6x1: pesquisa aponta apoio ao fim do modelo e lei avança em Brasília

Levantamento Genial/Quaest mostra que maioria dos brasileiros quer mudanças na jornada 6x1, enquanto projeto já aprovado na Câmara segue para análise do Senado antes de eventual sanção presidencial.


A discussão sobre o fim da escala de trabalho 6x1 — seis dias de trabalho para apenas um de folga — deixou de ser apenas pauta de bastidor em Brasília e passou a ter um termômetro claro nas ruas. Levantamento Genial/Quaest divulgado nesta semana mostra que a maioria dos brasileiros é favorável a mudanças nesse modelo de jornada, ao mesmo tempo em que o tema avança no Congresso Nacional.

De acordo com a sondagem, 69% dos entrevistados apoiam o fim da escala 6x1. Outros 22% são contra alterações no formato atual, 4% não têm opinião formada e 5% não souberam ou não quiseram responder. O resultado reforça a percepção de que há um desejo crescente por mais tempo de descanso, convivência familiar e possibilidade de estudo entre os trabalhadores.

Quando questionados sobre como usariam o tempo livre caso a jornada fosse reorganizada, a maioria mencionou descanso e família como prioridades. Há também uma parcela que enxerga na folga extra a chance de buscar uma segunda fonte de renda ou investir em qualificação profissional, na tentativa de melhorar a situação financeira a médio e longo prazo.

Por outro lado, os 22% que defendem a manutenção da escala 6x1 revelam outro lado da realidade brasileira. Especialistas ouvidos por diferentes veículos apontam que boa parte desse grupo deve estar concentrada em setores com forte uso de escalas e funcionamento contínuo, como comércio, shoppings, supermercados, farmácias, teleatendimento, indústria e serviços essenciais em grandes centros urbanos. Entre as principais preocupações, estão o medo de perder renda com a redução de horas extras, receio de cortes de pessoal e insegurança quanto à forma como uma eventual nova lei será aplicada na prática.

Já entre os 4% que ainda não têm opinião formada, pesam fatores como desconhecimento sobre o que é exatamente a escala 6x1, dificuldade em visualizar como ficaria a rotina com outras regras de jornada e falta de confiança de que qualquer mudança traga melhorias concretas no dia a dia.

Enquanto a pesquisa mede o sentimento da população, a pauta também avança no Congresso. O texto que trata da reorganização da jornada, incluindo mudanças na escala 6x1, já passou pela Câmara dos Deputados, onde foi aprovado em votação recente. Agora, o tema segue para o Senado Federal, etapa em que os senadores podem manter, alterar ou rejeitar trechos da proposta.

Somente após a análise do Senado é que o projeto seguirá para a sanção presidencial. O governo poderá aprovar integralmente o texto, vetar partes específicas ou solicitar ajustes. Depois dessa fase, se confirmado, o novo marco da jornada de trabalho precisará ser regulamentado e detalhado, o que envolve diálogo com empresas, sindicatos e órgãos responsáveis pela fiscalização trabalhista.

Na prática, os principais debates em torno da mudança giram em torno de pontos como redução da carga semanal, garantia de mais dias de folga ou rodízio de descanso em fins de semana, organização de intervalos de trabalho e regras mais claras para a atuação em domingos e feriados. Em setores considerados essenciais, a tendência é que escalas específicas sejam discutidas em acordos coletivos, para que o serviço não seja interrompido e, ao mesmo tempo, o trabalhador tenha proteção adequada.

O cenário traçado pela pesquisa Genial/Quaest e pelo andamento da pauta em Brasília mostra um país que trabalha muito, descansa pouco e, agora, começa a discutir com mais força como equilibrar produção, renda e qualidade de vida. A maioria quer mudança, uma parte teme perdas e outra ainda observa à distância, tentando entender o que, de fato, pode mudar em sua rotina.

Enquanto o Congresso decide os próximos passos e o projeto avança entre Câmara, Senado e Presidência da República, milhões de trabalhadores seguem na expectativa: o Brasil continuará preso ao 6x1 ou vai, enfim, redesenhar a forma como organiza o tempo de trabalho e de descanso?


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