A invisibilidade no saguão: O drama da mulher que viveu seis meses esquecida no aeroporto de Belém
- CanalNBS

- há 12 horas
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Após ter o passaporte roubado, cidadã de Serra Leoa foi engolida pela burocracia e ignorada pelo sistema até a intervenção da Justiça.
Imagine perder tudo em um país estranho e passar meio ano dormindo no chão frio de um aeroporto internacional. Essa não é a sinopse de um filme de Hollywood, mas a dura realidade enfrentada por Fatmata Sessay, uma mulher de Serra Leoa que ficou retida no Aeroporto Internacional de Belém. Tentando chegar ao Panamá para reencontrar o filho, ela teve seus documentos roubados e, a partir daquele momento, tornou-se um fantasma para o Estado e para as corporações.
O caso levanta um debate urgente sobre a empatia corporativa e a responsabilidade social. Aeroportos são administrados por concessionárias que movimentam bilhões anualmente, oferecendo infraestrutura de ponta para o consumo. No entanto, a total ausência de um departamento de acolhimento humano deixou Fatmata à mercê da própria sorte, dependendo exclusivamente da caridade de funcionários e passageiros que passavam apressados pelo saguão.
A situação só começou a mudar após seis meses de abandono, quando a Defensoria Pública da União interveio e a Justiça Federal determinou que o governo prestasse assistência imediata, garantindo abrigo e alimentação. O desfecho expõe uma ferida profunda na nossa sociedade: o quanto a vida humana perde seu valor diante da burocracia, e como o sistema, muitas vezes, só enxerga os invisíveis quando é forçado pela lei.



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