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Caso Banco Master escancara disputa de poder em Brasília

Entre dúvidas sobre a competência do Supremo, medo de CPI no Congresso e guerra de narrativas nas redes, o caso se transforma em peça central da disputa eleitoral.


DA REDAÇÃO

O avanço das investigações sobre o Banco Master passou a produzir efeitos simultâneos sobre o Supremo Tribunal Federal (STF), o Congresso Nacional e o governo federal, em um momento em que o país entra em clima de disputa eleitoral. O caso, que já vinha gerando desgaste político, ganhou um novo capítulo após declarações do presidente do STF, Edson Fachin, sobre a permanência ou não do processo na Corte.


Em manifestação recente, Fachin afirmou que há uma “suscitação” interna de que não haveria razão para o caso continuar sob apreciação do Supremo. Segundo ele, a definição sobre a competência da Corte deve ficar mais clara após a conclusão da fase inicial de instrução, com a tomada de depoimentos e análise de documentos. A declaração foi interpretada em Brasília como um sinal de que o processo pode ser remetido à primeira instância.


O inquérito chegou ao STF por causa da citação do deputado João Carlos Bacelar, usada como fundamento para justificar foro por prerrogativa de função. Até o momento, não há prova de envolvimento direto do parlamentar no suposto esquema de fraudes, mas sua menção foi suficiente para atrair o caso para a mais alta instância do Judiciário.


A discussão sobre a competência ocorre em meio a um ambiente de pressão sobre o Supremo, especialmente em torno do ministro Dias Toffoli, citado em reportagens e análises que relacionam o escândalo do banco a interlocuções políticas e interesses econômicos. A combinação de exposição pública e questionamentos institucionais elevou o grau de sensibilidade do tema dentro e fora da Corte.


Enquanto o STF avalia o destino do processo, o Congresso Nacional tenta administrar o impacto político do caso. O presidente da Câmara, Hugo Mota, antecipou a primeira reunião de líderes de 2026 para organizar a pauta do semestre em um calendário encurtado pelas eleições municipais e gerais. Entre as prioridades anunciadas estão a medida provisória do gás do povo, o projeto de criação do Instituto Federal do Sertão Paraibano, a instalação de comissões permanentes, a discussão da PEC da segurança pública e a análise do acordo entre Mercosul e União Europeia.


A movimentação é vista como uma tentativa de reforçar a imagem de normalidade e produtividade legislativa. Paralelamente, no entanto, o governo e sua base trabalham para evitar a instalação de uma possível CPI ou CPMI do Banco Master. A avaliação no Palácio do Planalto é que uma comissão parlamentar poderia travar votações importantes, ampliar espaços de exposição para a oposição e transformar o caso em um instrumento permanente de desgaste durante o período eleitoral.


A oposição, sobretudo setores da extrema direita, pressiona por uma apuração mais ampla no Congresso e tenta associar o caso a outras pautas sensíveis. Entre elas está a tentativa de derrubar o veto do presidente Lula ao chamado “PL da dosimetria”, que poderia reduzir penas de Jair Bolsonaro e de outros condenados no âmbito da trama golpista. A junção de temas – fraude bancária, responsabilização criminal e disputa por narrativas – aumenta a tensão entre governo e adversários.


Em outra frente, a Polícia Federal abriu inquérito para investigar relatos de influenciadores digitais que teriam sido procurados para produzir conteúdos criticando o Banco Central após a decretação da liquidação do Banco Master. Segundo informações já divulgadas, uma análise preliminar identificou postagens com mensagens semelhantes, sugerindo possível atuação coordenada para questionar a decisão da autoridade monetária e apresentar o banco sob uma perspectiva favorável.


A apuração sobre a atuação desses influenciadores foi autorizada pelo relator do caso no STF, ministro Dias Toffoli, e busca esclarecer se houve crime na organização e financiamento dessa campanha digital. A linha de investigação aponta para o uso das redes sociais como extensão da disputa institucional, em que decisões técnicas e jurídicas passam a ser traduzidas em narrativas políticas direcionadas a diferentes públicos.


O contexto eleitoral amplia o peso de cada movimento. De um lado, o governo tenta se posicionar como favorável à investigação, sobretudo porque o caso envolve figuras relevantes do centrão e da direita, sem permitir que o tema seja capturado exclusivamente por adversários. De outro, partidos de oposição buscam transformar o escândalo em símbolo de supostos desequilíbrios entre instituições, com foco no desgaste do Executivo e do próprio Supremo.


A combinação de dúvidas sobre competência judicial, resistência a comissões parlamentares de inquérito e investigações sobre campanhas digitais coloca o caso Banco Master no centro de uma disputa mais ampla sobre o funcionamento das instituições em ano eleitoral. O desfecho sobre onde o processo vai tramitar, se haverá ou não CPI e quais serão as conclusões da PF sobre a atuação de influenciadores tende a influenciar não apenas o ambiente político de 2026, mas também a percepção pública sobre a capacidade do Estado de lidar com grandes escândalos financeiros de forma transparente e efetiva.



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