Governo estuda aumentar mistura de etanol na gasolina para conter alta de preços
Medida visa reduzir a dependência de importações em meio à crise no Oriente Médio, mas levanta debates sobre os impactos nos motores dos veículos.
O Ministério de Minas e Energia anunciou que pretende propor o aumento da mistura de etanol na gasolina comum. Atualmente fixada em 30%, a proporção deve subir para 32% nas próximas semanas, com a possibilidade de alcançar até 35% em um futuro próximo.
A principal justificativa do governo para essa alteração é o cenário geopolítico atual. Com a escalada dos conflitos no Oriente Médio, o mercado internacional de petróleo tem sofrido fortes oscilações. Ao aumentar a quantidade de etanol, o Brasil espera reduzir a importação de gasolina em cerca de 500 milhões de litros por mês, buscando maior autossuficiência e blindando o consumidor interno contra a volatilidade dos preços externos.
Visto por analistas e especialistas do setor sucroalcooleiro, o movimento é positivo para a economia. Evandro Gussi, presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar, destacou que a atual mistura já proporcionou uma economia de aproximadamente 2 bilhões de reais aos consumidores desde o início da crise no Irã. Ele lembra ainda que o etanol se mantém, em média, 2,40 reais mais barato que a gasolina pura.
No entanto, a medida também traz preocupações técnicas. Enquanto as montadoras garantem que os veículos com tecnologia flex estão preparados para rodar com até 35% de álcool, proprietários de carros movidos exclusivamente a gasolina podem enfrentar problemas. O excesso de etanol pode acelerar o desgaste de peças e componentes do motor a longo prazo, exigindo maior atenção à manutenção preventiva.
A proposta ainda passará por avaliações do conselho responsável, mas já movimenta o debate entre a economia imediata na bomba de combustível e os possíveis custos de manutenção no futuro.




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