Morte de Nilton César aos 86 anos reacende debate sobre memória da música romântica
- CanalNBS

- há 5 dias
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Cantor de “Férias na Índia” morreu em 28 de janeiro de 2025, em São Paulo, e sua despedida expõe o risco de apagamento da história da música popular brasileira.
Morreu em 28 de janeiro de 2025, aos 86 anos, em São Paulo, o cantor Nilton César, um dos grandes nomes da música romântica brasileira. A morte foi confirmada pelas redes sociais oficiais do artista, em um comunicado breve e emocionado, sem divulgação da causa. O velório aconteceu no Cemitério São Pedro, na Vila Alpina, zona leste da capital paulista, em uma cerimônia íntima com presença de familiares, amigos e alguns fãs que foram se despedir de perto.
Nilton César ganhou projeção nacional nas décadas de 1960 e 1970, quando a música romântica dominava o rádio e os programas de auditório na televisão. Seu maior sucesso, “Férias na Índia”, vendeu mais de 500 mil discos em plena era do vinil, um número expressivo para um Brasil sem internet, sem redes sociais e sem plataformas digitais. As canções do artista se tornaram trilha sonora de casamentos, bailes, festas de família e histórias de amor que marcaram gerações.
A repercussão da morte do cantor nas redes sociais revelou a força da memória afetiva em torno de sua obra. Comentários de fãs relembraram a “voz maravilhosa” de Nilton César, destacando como suas músicas acompanharam juventudes inteiras e momentos decisivos da vida pessoal de muitas pessoas. Amigos e colegas de profissão também prestaram homenagens, entre eles a cantora Edith Veiga, que lamentou publicamente a perda e afirmou que a música está de luto.
A despedida de Nilton César reacende um debate incômodo sobre a preservação da memória musical no Brasil. Artistas que foram campeões de venda na era do vinil, responsáveis por sustentar a indústria fonográfica por décadas, muitas vezes aparecem hoje de forma discreta ou incompleta nas plataformas de streaming. Sem uma política consistente de preservação de acervos, a cada morte de um grande intérprete aumenta o risco de apagamento de parte da história da música popular brasileira.
A ausência de projetos estruturados para organizar, digitalizar e difundir o legado desses artistas faz com que a memória dependa, em grande medida, da lembrança dos fãs e de iniciativas pontuais da imprensa e de canais independentes. No caso de Nilton César, a trajetória que o levou das rádios de todo o país ao status de ícone romântico merece ser explicada para as novas gerações, que muitas vezes têm contato apenas com recortes esparsos de sua obra.
Além do impacto cultural, a morte do cantor também reforça a diferença entre a lógica do mercado atual, baseado em números de streaming e tendências de rede social, e a trajetória de artistas que construíram a carreira ao longo de décadas, com presença constante em shows, programas de TV e discos físicos. Se um sucesso como “Férias na Índia” surgisse hoje, com a mesma força que teve nos anos 1970, provavelmente seria tratado como fenômeno em escala nacional nas plataformas digitais.
Em meio a esse cenário, a despedida de Nilton César carrega um duplo significado: a perda de um artista que marcou a música romântica brasileira e o lembrete de que a preservação da memória cultural ainda é um desafio. A forma como o Brasil vai tratar o legado dele e de tantos outros nomes da velha guarda dirá muito sobre o valor que o país atribui à sua própria história musical.
Ao final, fica também um registro pessoal do repórter Nilton Santos: foi um prazer enorme, durante a vida de trabalho no mercado de shows business, ter conhecido e trabalhado para essa pessoa ímpar que foi o meu xará Nilton César. Artista de grandes sucessos, pessoa humilde e professor de experiências vividas. Que Deus o receba com honrarias no céu. Obrigado por tudo.










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