Operação apreende ônibus da TransUnião e Polícia Civil aponta vereador de São Paulo
Vereador Senival Moura como integrante de suposto esquema que resultou em morte de Adauto Soares Jorge

CANAL NBS
Durante a operação contra o crime organizado no transporte público da cidade de São Paulo, o Deic, da Polícia Civil Paulista, apreendeu ônibus da empresa TransUnião, que atua em partes das zonas leste, nordeste e sudeste da capital.
As primeiras informações dão conta que em torno de 18 coletivos foram apreendidos, sendo 14 operacionais e quatro estavam parados para manutenção.
A empresa Transunião Transportes S.A., que teve origem na garagem 3 da cooperativa Associação Paulistana, além de operar o lote de Distribuição D 3 (Área Operacional Nordeste 1) assumiu parte da operação da área 5- Sudeste da capital paulista, referente ao subsistema local da região no lugar da Imperial Transportes Urbanos, que teve origem na cooperativa Nova Aliança.
Os trabalhos deflagrados nesta quinta-feira, 09 de junho de 2022, são fruto de uma investigação que se iniciou com o assassinato em 04 de maio de 2020, de um dos diretores da empresa que teve origem em cooperativas de transportes, Adauto Soares Jorge, como mostrou o Diário do Transporte na ocasião.
Duas pessoas foram presas durante a operação nesta quinta-feira (09): Devanil Souza Nascimento (Sapo) e Jair Ramos de Freitas (Cachorrão)
Um dos alvos também é o vereador pelo PT, Senival Moura, que, segundo as investigações, possui 13 ônibus na TransUnião.
Os policiais entendem que o parlamentar pode ter ligação com a morte de Adauto Soares Jorge que, ainda segundo a Polícia, seria uma espécie de “testa de ferro” do vereador.
A Polícia entende que a TransUnião era usada para lavar dinheiro do crime organizado, tráfico de drogas e de uma facção criminosa que atua dentro e fora de presídios.
O Diário do Transporte procura os contatos do vereador e da empresa para ouvir o outro lado.
A assessoria de Senival Moura diz que, por nota, o vereador se manifestará até o fim da tarde.
A reportagem ainda busca contato com a empresa de ônibus.
Em nota ao Diário do Transporte, a Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Executiva de Mobilidade e Transportes (SETRAM) e da SPTrans, diz que não foi informada formalmente a respeito do teor das investigações na Transunião, entretanto, “está à disposição das autoridades policiais, irá acompanhar o caso e colaborar com a polícia em tudo que for solicitada.”
Em nota, a Polícia explica ainda que Adauto, entretanto, não estaria realizando o repasse de valores a contento para membros da facção, motivo pelo qual foi desligado da empresa e teve a morte decretada pela organização criminosa.
Policiais do Departamento Estadual de Investigações Criminais – DEIC deflagram nesta data a Operação PRODITOR, decorrente da apuração de crimes de homicídio, lavagem de dinheiro e organização criminosa, relacionados ao envolvimento do crime organizado com a direção da empresa Transunião, de transportes urbanos. A ação acontece na Capital e no município de Mogi das Cruzes.
É coordenada pela 2ª Delegacia de Polícia de Investigações sobre Crimes Patrimoniais de Intervenção Estratégica do Departamento, com o cumprimento de oito mandados de busca e apreensão e dois mandados de prisão.
As investigações se iniciaram com a apuração da morte de Adauto Soares Jorge, ex Presidente citada empresa de transportes, executado em 04 de março de 2020, e descortinaram o envolvimento do crime organizado com a empresa.
Foi apurado que a vítima era “testa de ferro” do vereador Senival Moura na direção da empresa, que era utilizada para a lavagem de dinheiro de membros do PCC (Primeiro Comando da Capital). O próprio vereador era proprietário de 13 ônibus que prestavam serviços para a empresa, que tem contrato com a prefeitura da capital no valor de R$100 milhões anuais.
Adauto, entretanto, não estaria realizando o repasse de valores a contento para membros do PCC, motivo pelo qual foi desligado da empresa e teve o “salve” decretado pela organização criminosa.
No dia do crime, a vítima foi levada por Devanil Souza Nascimento, vulgo “Sapo”, motorista de Senival, para uma padaria, sendo executada logo após sua chegada, ainda no estacionamento do estabelecimento, por Jair Ramos de Freitas, vulgo “Cachorrão”, que após a prática do homicídio virou diretor da empresa.
Foi decretada judicialmente a prisão temporária de “Cachorrão” e “Sapo”, bem como buscas em endereços relacionados a eles, ao vereador e a outros investigados, incluindo o atual presidente da empresa, Lourival de França Monario. Foi determinada, ainda, a apreensão de 18 coletivos pertencentes aos investigados.
UPBUS:
A reportagem mostrou que são investigadas outras empresas com origem em cooperativa, como a UPBus, onde ocorreu uma operação na semana passada.
Em 02 de junho de 2022, a Polícia Civil apreendeu armas, munições, computadores e documentos na UPBus, operadora da zona Leste de São Paulo.
O Denarc (Departamento de Narcóticos) da Polícia Civil de São Paulo está convencido que uma empresa de ônibus com origem em cooperativa de transportes do sistema urbano da capital paulista fazia lavagem de dinheiro do tráfico de drogas e tinha membros ligados a uma facção criminosa que atua dentro e fora dos presídios.
Relembre:
Por : Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes





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