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Rapper porto-riquenho René Péres destaca Bolsonaro em Clipe com mais 8 milhões de visualizações

22 de mar. de 2022
3 min de leitura

'O presidente brasileiro começou a destruir o continente': respondeu o rapper a BBC ao explica o porque destacou Bolsonaro no clipe


CANAL NBS

O novo single do porto-riquenho René Pérez, mais conhecido como Residente, pede que o mundo preste atenção aos abusos e sofrimentos que ele atribui aos Estados Unidos da América.

Mas, sobretudo, This is Not America mostra, segundo o artista, como os Estados Unidos se apropriaram do nome que pertence a toda uma região caracterizada pela diversidade de suas centenas de milhões de habitantes.

"Do ponto de vista dos Estados Unidos, tudo o que está presente no vídeo não é a América", diz em entrevista à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC.



Com isso em mente, o artista tentou retratar a América de ponta a ponta, para deixar claro que "é da Terra do Fogo ao Canadá".

A produção, que veio a público na quinta-feira e que já conta com milhões de visualizações no YouTube, une a voz de Residente à dupla Ibeyi, formada pelas irmãs de ascendência cubana Naomi Díaz e Lisa-Kaindé.

No clipe, ele encena protestos na Venezuela, Colômbia e Porto Rico; apresenta imagens de guerrilheiros, narcotraficantes e favelas; gangues que oram a um Cristo crucificado na praia e uma mulher que, separada de seu filho, o amamenta através de uma cerca; coloca pirâmides pré-colombianas no meio das cidades e substitui a Estátua da Liberdade por outra de uma pessoa de um povo originário. E também critica o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro (PL).

Também mostra eventos históricos específicos de forma crua, como o assassinato do músico chileno Víctor Jara, que foi baleado na cabeça em 1973 pela ditadura militar de Augusto Pinochet, após ter sofrido tortura.

A BBC News Mundo conversou com o artista sobre o simbolismo por trás de sua nova música. Confira trechos da entrevista abaixo.

BBC - O vídeo e a letra da música estão cheios de simbolismos. O que é a América para você?

Residente - O vídeo começa com uma obra do artista chileno Alfredo Jaar, que fez a mesma afirmação há cerca de 30 anos: a América é todo o continente, e não apenas um país. Foi nisso que me inspirei para dar o nome à música.

Do ponto de vista dos Estados Unidos, as situações que apresento no vídeo não fazem parte da América.

Obviamente, é a América e todos nós sabemos disso. Mas é um segredo aberto que as pessoas ouvem e deixam passar.

Quando você o interioriza, dentro do seu corpo, do seu ser e do seu espírito, incomoda saber que os Estados Unidos carregam um nome que pertence a todo um continente.

Nesses tempos em que as palavras e seus usos estão sendo modificados, o que as palavras significam, (...) pode ser um bom momento para buscar alternativas para a palavra 'América', em inglês. Quando se referem ao seu país, não precisam dizer 'América', podem dizer Estados Unidos. Fácil.


BBC - No vídeo, você apresenta acontecimentos em sua maioria trágicos ou que remetem ao inconformismo nos diferentes países da América Latina. Por que você decidiu mostrar este lado do continente?


Residente - Porque a maioria das situações que apresento no vídeo estão ligadas a intervenções dos Estados Unidos.

Qual a melhor maneira de dizer: 'irmão, você está levando o nome depois de ter feito a Operação Condor e ter matado meio milhão de pessoas, e ter causado indiretamente a morte de Víctor Jara durante a ditadura de Augusto Pinochet'.

Também é um bom momento para tocar em diferentes situações que ocorreram na Colômbia, na Venezuela e rever os importantes acontecimentos na América.


Entre as perguntas a BBC perguntou ?


BBC - Por que você escolhe Jair Bolsonaro e não dá destaque a outros líderes latino-americanos?

Residente - Poderíamos fazer um vídeo de todos os presidentes lavando a boca com a bandeira. O que acontece é que havia apenas um espaço, e para mim quem ganhou o prêmio este ano por tudo que fez foi Bolsonaro.

Embora existam muitos, Bolsonaro tem algo particular. Por mais que esses líderes tenham cometido atrocidades, alguém que eu imagino limpando a boca com bandeiras é Bolsonaro. É alguém que incendiou a Amazônia, entende? Começou a destruir o continente.

Além disso, o Brasil é sempre excluído quando as coisas latino-americanas acontecem. As pessoas se esquecem do Brasil porque a população não fala espanhol. Então foi bom representá-lo desse modo. Mas acho que Daniel Ortega (presidente da Nicarágua) também mereceu, assim como muitos outros presidentes... Nicolás Maduro. Há uma lista de presidentes que merecem ser destacados pelo que fazem em seus países.


POR BBC


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